A MOTO NÃO QUER PEGAR
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Quando a moto não quer pegar, o problema pode ser dos mais variados. Por isso, há uma série de componentes que trabalham tanto no momento da partida do motor como para mantê-lo funcionando, e que precisam ser verificados.
Além disso, é bom saber como conseguir um guincho para poder levá-la à sua oficina, bem como estar ciente do problema e não precisar ser resgatado por conta de uma simples bateria arriada. Dessa forma, você economiza um bocado.
Mas, estando a motocicleta sem funcionar, como identificar as causas da falha? Essa é uma situação complicada, principalmente se ela estiver produzindo centelha (faísca). Assim, para que você não tenha dor de cabeça nesse serviço, confira abaixo nossas dicas para diagnosticar essa falha e resolvê-la!
A Moto não pega: como fazer o diagnóstico?
Os problemas de partida em uma moto podem estar relacionados tanto ao sistema elétrico quanto ao mecânico. Dessa forma, é preciso, primeiramente, saber onde está a falha que a impede de ligar. Mas Para isso, um teste bem simples já é o bastante. Com a motocicleta desligada, siga os seguintes passos:
- retire a vela de ignição do motor e encaixe-a no cachimbo ligado ao cabo da bobina;
- usando luvas, segure o cachimbo com um alicate isolado;
- encoste a parte metálica da vela no lado de fora do motor para o aterramento;
- dê a partida e veja se a vela está produzindo centelha.
Caso não tenha centelha, o problema é mesmo no sistema elétrico. Agora se houver a centelha, significa que pelo menos a parte elétrica está funcionando adequadamente. Nesse caso, será preciso conferir outros componentes.
Combustível
Se há faísca, mas a moto ainda não pega, o problema pode ser o combustível. Parece bobagem, mas no entanto, é sempre bom verificar seu o nível, pois o marcador do painel pode estar com defeito. Em motos injetadas, é preciso cerca de um quarto de tanque para que a bomba de combustível consiga coletá-lo corretamente. Além disso, preste atenção se ela está sendo acionada na tentativa de dar a partida. Geralmente dentro do tanque de combustível faz um barulhinho (zumbido) quase inaudível..
O combustível adulterado também perde as propriedades necessárias para uma queima regular, principalmente se conter muito álcool misturado, fazendo com que o motor tenha dificuldades em funcionar ou trabalhe de modo irregular, falhando em marcha lenta.
No caso das motos com injeção eletrônica, a ECU (Electronic Control Unit, ou Unidade Central Eletrônica) pode ter dificuldades em determinar a quantidade de combustível ideal, enviando informações totalmente erradas aos bicos injetores.
O maior perigo é o de injetar combustível demais na câmara de combustão. Como a queima não está acontecendo, há a possibilidade de ocasionar um calço hidráulico, no qual os cilindros são preenchidos com líquido em vez da mistura ar-combustível vaporizada, fazendo com que o pistão não consiga comprimi-lo e se choque com as válvulas. É raro, mas pode acontecer caso persista em ficar dando a partida por muito tempo.
Bateria
Se o cliente sempre abastece em postos de confiança e nunca teve esse tipo de problema antes, provavelmente a causa não é o combustível. Talvez o próximo problema pode ser a bateria. Principalmente se estiver muito fraca.
Por mais que haja faísca, pode ser que a bateria não esteja disponibilizando corrente elétrica na intensidade (amperagem) correta, deixando a faísca fraca para a combustão. Nesse caso, tente recarregar a bateria e verifique se o problema é resolvido.
Estator
O estator é o responsável por recarregar a bateria e, basicamente, fazê-la funcionar de maneira regular. Porém, quando algum de seus componentes — como conectores corroídos (zinabrados) ou o retificador de corrente queimado — falha, a moto não consegue se manter ligada por mais do que alguns segundos. Nesse caso, é preciso conferir com um multímetro se a tensão na bateria se altera.
Para saber os números exatos da tensão do modelo da moto, confira as indicações da montadora no manual do proprietário ou veja nosso post relacionado a estator clicando aqui. Geralmente, com o motor desligado, ela tem que estar entre 12 e 13 volts. Ao ligá-la, com o farol alto acionado, o multímetro deve mostrar um número entre 13 e 14 volts. Já ao acelerar a moto, a tensão precisa subir, ficando entre 14 e 15 volts.
Cabo de vela ou Cachimbo
Os cabos de vela podem apresentar mau contato, por conta do desgaste natural, ou afrouxamento, devido à trepidação da moto. O cachimbo também pode trincar sua estrutura isolante e deixar a faísca escapar. Com isso, perdem a eficiência em transferir a corrente elétrica.
Confira seu estado retirando o cachimbo da vela e desencaixando-o do cabo. Depois, com a devida proteção e o auxílio de um alicate com isolamento, aproxime o cabo a aproximadamente 10 milímetros da vela. Dê a partida e veja se há faísca entre eles.
Corrente elétrica
Componentes do estator ou o retificador de corrente, podem estar danificados, permitindo a fuga de corrente elétrica para outras partes da motocicleta.
Os próprios cabos de vela, quando o isolamento está danificado (por ressecamento ou avarias), podem deixar escapar corrente elétrica para o bloco do motor ou mesmo para o quadro da moto. Com isso, pode ocorrer a queima de componentes elétricos, além do perigo de choques para o motociclista.
Nesses casos, o motor pode até funcionar através de tranco por causa da alta carga elétrica gerada no procedimento. No entanto, o motor apresentará falhas no funcionamento, colocando o motociclista em risco quando em movimento.
Compressão no motor
Em alguns casos, a falta de compressão no motor pode gerar problemas na partida. Para testá-la, use um manômetro analógico ou um scanner de motos. Antes, confira no manual do proprietário as medidas de pressão que devem constar na leitura.
Depois, desencaixe o cachimbo e retire a vela do bloco do motor. Instale o medidor de sua preferência no local. Dê a partida na moto para conferir os dados da compressão na câmara de combustão, verificando, assim, se a mistura ar-combustível está chegando com a força correta no motor.
É muito comum que um motociclista, quando se depara com sua moto em dificuldade para pegar, pense logo em dar o famoso tranco. Mas, como deu para perceber, as origens dessa falha podem ser as mais diversas.
Por isso, o tranco não é nada recomendado, devido aos problemas que pode ocasionar ao forçar uma peça com mau funcionamento. Assim, deve ser feito somente em uma emergência. Confira no próximo tópico o motivo e informe os seus clientes corretamente.
Como dar tranco em moto e quando isso é uma boa ideia?
O famoso tranco refere-se a colocar o motor da moto para funcionar por meios que não seja pelo do motor de arranque, mas do próprio movimento da roda. É como se a partida fosse dada ao contrário.
Porém, essa prática não é recomendada pelas montadoras e nem pelos mecânicos e muito menos por nós do blog Motos de Praia Grande. E não é à toa. A depender das particularidades de cada modelo, vários problemas podem decorrer de um tranco e, para serem consertados, exigirão um gasto muito maior do que o de um serviço de guincho.
Portanto, o ideal é ter cautela e avaliar bem a situação antes de usar esse artifício ou indicá-lo a alguém. Veja, a seguir, quando é possível dar o tranco na motocicleta e quando não se deve cogitar o procedimento.
Problemas que podem ser causados pelo tranco
Por não serem frequentes e, na maioria das vezes, ocorrerem somente no caso de uma coincidência de fatores, muitos motociclistas pensam que os danos provocados pelo tranco são apenas boatos a toa. Não é bem assim.
O que acontece é que, como falamos acima, os motivos para uma motocicleta não pegar são vários e podem, inclusive, ser mais de um ao mesmo tempo. Como, geralmente, o proprietário não sabe o que aconteceu, ao dar um tranco, os componentes com problemas são forçados a trabalhar. E é aí que mora o perigo, pois o prejuízo pode sair muito caro caso haja uma eventualidade.
Assim, o tranco não compensa o risco, sendo mais seguro esperar pelo resgate de um guincho, uma carga na bateria ou um mecânico para dar uma olhada. A menos, é claro, em uma situação de emergência, para que o motociclista não fique parado em lugares com pouco movimento, sem iluminação ou em horários perigosos.
Entre os danos que podem resultar de um tranco estão:
- o encharcamento do catalisador, se houver, com combustível líquido não queimado nos cilindros, o que pode condenar o componente;
- a avaria de válvulas, bielas ou cilindros, causada por um calço hidráulico (se também houver um problema na alimentação de combustível, como no caso de a boia do carburador falhar);
- a quebra de válvulas por conta de um eventual descompasso do comando, resultado do pulo de alguns dentes pela corrente, tirando o virabrequim de sincronia e fazendo com que o pistão se choque com elas;
- a queima da central eletrônica (ECU) — em motos injetadas — causada por sobrecarga elétrica vinda do alternador.
Como já dissemos, apesar de serem raros e ocorrerem, principalmente, quando há mais de uma falha presente, os problemas que o tranco na moto podem causar são caros.
No entanto, se for o caso de uma emergência, o melhor é saber como fazer o procedimento corretamente para minimizar os riscos e permitir um paliativo, a fim de que o motociclista consiga levar a moto até seu estabelecimento. Mas lembre-se, não recomendamos isso.
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